segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Hoje, depois de algum tempo (devido a inúmeros serviços jurídicos e viagens para Congressos) volto neste nosso cantinho para comentar algumas novidades.

CASUARINA – 3 – 3º CD e 1º DVD
Esse grupo, que faz enorme sucesso no Rio de Janeiro, nos brinda com seu terceiro CD – “MTV apresenta Casuarina” – da SONY MUSIC. Foi objeto de um show na Fundição Progresso – Arco da Lapa 24.
Destaquemos algumas faixas:
a. Preparei uma roda de samba só pra ela.... Isso é problema dela, isso é problema dela...
b. O que se vai fazer. Em virtude do tempo, hoje não há futebol. Uma noite tão feia e eu esperava lua cheia. Em virtude do tempo...
1. Não falem dessa mulher perto de mim. Não falem para eu não me lembrar da minha dor. Se me lembro dela me dá saudade! Ninguém viveu a vida que eu vivi... Não falem dessa mulher perto de mim. Já fui moço, já gozei a mocidade... Respeitem ao menos os meus cabelos brancos...
2. Chamado ao palco, com uma aula de samba: Roberto Silva (faixa n.º 5). Vejam só este jornal. É o maior hospital...
3. Mostro minha face suja... Sou de sorrir e desdenhar. Eu sou vaso duro, pode conferir... (faixa n.º 6).
4. Rosa Morena. Onde vais morena rosa. Com essa rosa no cabelo... Rosa, morena... Esse andar de moça prosa... (faixa n.º 8).
5. Vou pelas minhas madrugadas a cantar. Esquecer o que passou. Trago a face marcada... A mocidade que não volta nunca mais. Tantos lábios beijei; tantas mãos afaguei. Vou pelas madrugadas, esquecer o que passou (faixa n.º 9 – imperdível).
6. Abre as asas sobre mim. Senhora Liberdade. Amar foi meu delito. Hoje estou no fim. Senhora Liberdade, abre as asas sobre mim (faixa n.º 11 – imperdível). Considero esse samba de Ney Lopes, o hino do samba de raiz). É cantada por um grande mestre do samba.
7. Certidão é papel que eu não preciso não (faixa n.º 11 – Sucesso já do Grupo Casuarina).
8. Outra faixa (n.º 12) imperdível. Vai passar, esse meu mal estar, esse nó na garganta. Vai passar. Água de mais mata a planta; tudo o que é demais... Relógio que atrasa não adianta. Remédio que cura também pode matar.

Roda de Samba com Almir Guineto
Lançamento da SOM LIVRE – Disc.
Faixas imperdíveis:
1. Insensato Destino (Chiquinho/Mauricio Lins/Acyr Marques).
Ó insensato destino pra que. Eu quero ser feliz pelo menos uma vez. Fui desprezado e magoado por alguém que abusou de mim. Tanta desilusão no meu viver.
Destino! Porque fazes assim...tenha pena de mim. Não mereço sofrer assim...
2. Pra não deixar morrer meu grande amor (Almir Guineto/Celso Leão/Passarinho). Faixa n.º 4.
Não há nada de errado nessa união.
E nós nessa margem de separação...
3. Mel na boca (..........)
Ó quanta mentira suportei. Pode parar, com essa idéia de representação. É mentira. É mentira, cadê toda a promessa de me dar felicidade.
Será que o amor é isso. Um raio de luz. O sol há de brilhar outra vez... (imperdível).
Bota mel na minha boca. Será que o amor é isso!
4. A Vaca (Zeca Pagodinho/Ratinho).
Quero comprar essa vaca. Quero comprar uma vaca solteira e que possa casar. Quero saber se essa vaca dá leite ou não dá. Se a vaca for brejo...
5. Tanta Promessa (Arlindo Cruz/Marquinho PQD)
Foi tanta promessa que eu fiz que não vai dar tempo de pagar...
6. Abençalgueiro (almir Guineto/Ney Lopes).
Salgueiro. Foi lá que aprendi tudo que sei. Salve o Salgueiro. Um belo dia o meu sol raiou. Foi lá que nasci, e me batizei. Salgueiro...
7. Pranto Que Chorei (Arlindo Cruz/ Franco/Acyr Marques)
Tinha que ser assim. Amar foi bom pra mim.
Foram águas de mar. Foram temporais... Eu fui a nuvem que chorei ao ver que o nosso amor morreu... Na tua vida fui um rio, mas passei (faixa n.º 14).
8. Lama das Ruas (Almir Guineto/Zeca Pagodinho).
Deixa. Desaguar a tempestade. Inundar a cidade.
Porque há um sol dentro de nós. E seremos serenos.
Veja. O olhar de quem ama, não reflete um drama,
Uma expressão pura sim. Aí é que o bem vence o mal. Se há tanta lama nas ruas, e o céu é deserto sem brilho de luar, o clarão da luz do teu olhar vem me guiar. Conduz meus passos por onde quer que eu vá (imperdível).

Até breve! Obrigado pelas visitas!

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

ONDE ENCONTRAR-SE COM O SAMBA DE RAIZ NO RIO DE JANEIRO.

1. Circo Voador – Rua da Lapa s/nº - 2533 – 0354 – sextas às 22hs – R$ 50,00;
2. Carioca da Gema – sextas às 23hs – Tereza Cristina e Grupo Semente – sábados às 23hs – Ana Costa;
3. Tempero Carioca – domingos às 22hs – 19hs – Av. Mem de Sá, 179 – Lapa – Telefone: 22221 0043;
4. Sururu na Roda – Rua do Teatro. 37 – Praça Tiradentes – Telefone: 2252 6468 – sábados às 22h30 – R$ 20,00;
5. Batuque na Cozinha – “Mas será o Benedito” – Av. Gomes Freire, 599 – Lapa – Telefone: 2232 9000 – sextas às 22hs – R$ 20,00;
6. Galo Cantô – Mofo – Av. Mem de Sá, 94 – Lapa – Telefone: 2221 9851 – sextas às 23hs – R$ 20,00;
7. Trapiche Gamboa – Rua Sacadura Cabral, 155 – Gamboa – sábados 22hs;
8. Estrela da Lapa – Av. Mem de Sá, 69 – Lapa – Telefone: 2507 6686 – domingos às 23hs;
9. Grupo Alma de Sambista – Bar Severyna de Laranjeiras – Rua Ipiranga, 54 – Laranjeiras – Telefone: 2556 9398 – domingos às 21hs – R$ 10,00;
10. Samba com atitude, com Dorina – Bar Bom Sujeito – Estrada da Barra, 18 – Barra, Telefone: 2491 8955 – sábados às 21h30 – R$ 20,00.

Hoje, temos dois grandes lançamentos para comentar:

1. Luiz Melodia – Especial – MTV
Este CD revela um grande sambista (embora ele tenha enveredado por outras bandas também).
Eu diria que, no âmbito do samba, este é um dos melhores CDs que surgiram.
A primeira faixa é um samba belíssimo e novo: “Contrastes”. A segunda é “Rei do Samba” (imperdível),. Quer cantar samba na Gamboa. 30 anos sempre a cantar.
A terceira faixa é “Tive sim”, uma das pérolas de Cartola. “Eu vivia contente, como vivo hoje com você. Tive sim outro grande amor antes de ti”.
A faixa 4 traz nada mais do que “Diz que foi por aí” (Zé Kéti/H. Borba); em seguida, sublinho a faixa “Fadas” (6).
Outra faixa imperdível: “Gente humilde” (samba do qual eu perguntei aqui se sabiam quem o compôs e quem o cantou. Hoje sei: Chico Buarque, Garoto/Vinicius de Moraes; quem a gravou: Silvio Caldas. É uma das mais lindas músicas do cancioneiro pátrio (“tem certos dias em que eu penso em minha gente”; “São casas simples com cadeiras com calçada”; “E aí me dá uma tristeza no meu peito. Feito um despeito de eu não ter como lutar”; “E eu que não creio peço a Deus por minha gente. É gente humilde, que vontade de chorar”.
Outra faixa a de n.º 11, “choro de Passarinho” (Renato Piau/Euclides Amaral/Rubens Cardoso).
A faixa 13 é um samba de raiz genuíno. Belíssimo (Eu vou ficar no Morro).
A última faixa foi cantada pelo Luiz em outro CD: “Chegou a Bonitona” (Geraldo Pereira/José Batista).

2. Alcione: Acesa
Trata-se do seu último CD. Músicas escolhidas a dedo para o seu vozeirão e para o seu molejo inconfundível.
A primeira faixa é novidade imperdível: “Eu não domino essa paixão” (Paulinho Resende).
A 2ª faixa é sensacional: “O samba me chamou” (Marquinho PQD – Sombrinha).
“Eternas Madrugadas” (Fred Camacho – Cassiano Andrade), é a 3ª faixa.
Em seguida a faixa que dá o título ao CD: “Acesa” (Telma Tavares – Eddie Ferreira). É um samba arrebatador. O tom das batidas é fantástico.
A faixa n.º 6, “Não peça pra ficar” (Valtinho Jota/Andrea Amadelsi) é muito bonita, tendo uma letra belíssima.
A faixa 7 é belíssima, tanto nos seus versos como na música: “O sono dos justos” (Marcos Lima/Marcio Proença/Rodrigo Sestremi).
A faixa n.º 9, “Eu vou pra Lapa” (Serginho Meriti, que tem mais de 700 sambas compostos, inclusive o samba consagrado por Zeca Pagodinho, “Deixa a vida me levar”/Claudinho Guimarães). É um típico samba de raiz.
A faixa seguinte: “Chutando o Balde” (Ney Lopes – que canta também.
A faixa de n.º 11: “Quem dera”, belíssimo samba, de Reinaldo Frias e Paulo Sérgio Valle.
“Sinuca de Bico” é a faixa de n.º 12 (Claudemir Elcio do Pagode – Serginho Meriti).
Registro: O samba de raiz vai fazendo nascer aqui ou acolá novos nomes e grupos.
No dia 30 último (domingo), o Canal MTV apresentou um grande show de um novo grupo denominado “Arranco de Varsóvia”, homenageando Martinho da Vila.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

DIOGO NOGUEIRA

Em seu último CD, este sambista de raiz, que herdou do seu pai, João Nogueira todas as condições para ser o sucesso que é, Diogo, vem trazendo sambas dos mais empolgantes.
Vejamos.
A primeira faixa, “Poder da Criação” lembra seu pai em tudo, mas mostra seu talento para o samba; os autores são João Nogueira e Paulo César Pinheiro. Imperdível.
A segunda faixa (“Batendo a Porta”) tem como compositores os mesmo dois; mostra um Diogo mais rápido e com o molejo dos grandes cantadores.
A 3ª faixa, “Fé em Deus” tem uma letra muito bonita e a interpretação do Diogo é imperdível.
“Nó na madeira” (Participação especial de Marcelo D2) de João Nogueira e Eugênio Monteiro é já consagrado e todos adoram esse samba.
A faixa n.º 6 traz-nos “Vazio” (Nelson Rufino), um samba que é uma pérola, com uma batida espetacular. A faixa n.º 7, “Vi no seu olhar” tem uma letra belíssima.
A faixa n.º 8 traz “Cai no samba” (Participação de Xande de Pilares). É um samba-pagode brejeiro e cheio de alegria.
“Do jeito que sou” é a faixa “9”, de Beto Júnior. Samba novo de inegável beleza.
A faixa 11 nos traz “Laço desfeito” (João Nogueira/Ciraminho). Samba de raiz com poesia e tristeza.
A faixa n.º 13, “Trem do Tempo” (Ciraminho/Diogo Nogueira/Alceu Natal) é imperdível.
A última faixa, “Samba pros poetas” (Diogo Nogueira/Inácio Rios).
É um verdadeiro ode ao samba de raiz, mostrando toda a pujança dele que não morre jamais porque ele está na alma do povo brasileiro, nas esquinas, nas rodas, nos botecos e botequins das cidades.
Vejam os trechos da letra:

“O povo chamando pro samba não morrer
Sambista de fato não deixa esmorecer
Bate no peito com raça e dignidade
O samba vem de Angola
Mexe no meu peito, a mais pura verdade
Dizem que o samba da gente já morreu
Isso é conversa fiada, o samba cresceu
E Donga dizia pelo telefone
Que o samba é a alma do povo
Raiz verdadeira, Brasil é seu nome

Samba de Monarco, de Ratinho, de Noel,
De Padeirinho e do Sila de Oliveira
Samba de Katimba e da Vila, Dona Ivone, Jovelina.
E também João Nogueira
Samba pros poetas de verdade
Do Paulinho da Viola e pro Nelson Cavaquinho
Olha que o Candeia foi chegando e o
Sem Braço foi versando
Devagar, no miudinho.”
(composição de Diogo Nogueira e Inácio Rios).

Não é a realidade do samba de raiz? Ele não só não morreu, como não morrerá jamais, e hoje, volta a revelar jovens sambistas que dão continuidade às canções e letras dos grandes poetas do samba.
Registro que o CD é dedicado a João Nogueira e Paulinho Albuquerque. Realização da Música & Mídia Produções. É imperdível.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

JUSTA HOMENAGEM AO MAIOR DOS COMPOSITORES DO SAMBA

Nos últimos dias 15 e 16, o SESC – Pinheiros organizou um show em homenagem a esse que foi o maior poeta do samba: Nelson Cavaquinho; denominou-se “Uma flor para Nelson Cavaquinho” tendo sido comandado pelo grande músico Arnaldo Antunes. Cantando, os três.
Primeiramente Liliane, cantou diversas músicas, menos conhecidas do público, porém com uma interpretação muito boa. Depois, Arnaldo cantou já algumas das pérolas de Nelson, para, então, surgir no palco, com sua voz inconfundível, nada mais do que Elza Soares. Cantou lindamente os maiores sucessos do Nelson, começando por “A flor e o espinho”, onde, como já nos manifestamos, consta a frase mais fantástica do cancioneiro brasileiro: “Tira o seu sorriso do meu caminho, que eu quero passar com a minha dor”.
Essa música, ao lado daquele que diz “quem me quiser me homenagear que o faça agora, antes que eu vire saudade”, são as maiores pérolas do Nelson. Registre que um Auditório lotado do SESC estava lotadíssimo, tanto no sábado como no domingo.
Foram relembradas algumas das célebres músicas – sambas de Nelson Cavaquinho, trazidas a nós pela voz sensacional de Elza Soares.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

ALINE CALIXTO

“CD une tradição mineira a sambas de roda e gafieira”, com essa chamada a Folha de São Paulo analisou a figura dessa novel sambista, bem como o seu primeiro CD, com o título que leva o seu nome.
Informa-nos a Folha que ela foi descoberta num festival na Lapa Carioca e que conheceu, em rodas ou pela internet, autores mineiros ainda pouco conhecidos e gravou novidades como “Original” (Santão/Sandro Borges), “Enfeitiçado” (Affonsinho) e “Faz o Seguinte” (Renegado).
Dos subúrbios cariocas trouxe “O Teu Amor Sou Eu” (Rogê/Arlindo Cruz). Na música lenta, em “Retrato da Desilusão” uma bela peça romântica de Monarco/Mauro Diniz. A gravadora é a Warner.
O CD começa com o “Original” onde a cantora mostra que tem a alma do samba na voz. Em seguida, “Cara de Jiló”, de sua autoria com Juliano Buteco. A faixa “Tudo que sou” de Toninho Geraes e Toninho Nascimento, lembra Clara Nunes.
- “Saber Ganhar” de Eduardo Krieger, é imperdível.
- A faixa “Faz o seguinte” de Renegado é uma das mais belas do CD.
- “Rainha das Águas”, de Douglas Couto/Rodrigo Santiago é muito bonito.
- “O teu amor sou eu”, de Rogê e Arlindo Cruz, imperdível.
- “Retrato da Desilusão” de Mauro Diniz/Monarco, é uma das belas faixas do CD, com uma interpretação fantástica de um samba que é uma pérola.
VIOLÃO E SAMBA (da Zamba Discos)
Produção: Dorina, Carlinhos 7 cordas e Claudio Jorge

Dorina é de há muito uma das maiores sambistas das noites do Rio. Já há mais de 10 anos canta o verdadeiro samba nas noites. Voz belíssima e interpretações raras.
Das melhores faixas destacamos:
- Samba do Irajá, de Ney Lopes; Violão Vadio, de Baden Powell e Paulo Cesar Pinheiro; Zuela de Oxum, de Moacyr Luz e Martinho da Villa.
- Notável Amiga, de Luiz Carlos da Vila (trata-se de um belo ode à viola, amiga inseparável); Seja Sambista Também, de Arlindo Cruz/Sombrinha: trata-se da melhor faixa, com os dois grandes sambistas compositores do samba de raiz. Passagem imperdível: “Pois o samba como é giz/É eterno porque é raiz/Não quero dizer que viver é só sambar/Mas sambar é viver/É saber se encontrar.../Aconselho a você que seja sambista também”.
Outra faixa excelente é “Tudo se transformou”, de Paulinho da Viola. Imperdível.
- De Qualquer Maneira, de Candeia – imperdível: “Enquanto houver samba na veia/Empunharei meu violão”.
- Cordas de Aço, de Cartola: “Ah! Essas cordas de aço/Esse minúsculo braço/Do violão que os dedos meus acariciam/Ah esse brejo prefeito/Que trago junto ao meu peito, só você violão...” Imperdível.
- A última faixa imperdível é “Amanhã, ninguém sabe”, de Chico Buarque.